TIMELINE - A MINERAÇÃO

Principais contribuições e fatos marcantes na evolução da mineração no Quadrilátero

Naturalistas, pesquisadores, cientistas, visionários. Novos processos. Esse é o perfil de pessoas e empresas que contribuíram para o desenvolvimento do território do Quadrilátero, desde o descobrimento do Ouro, pelo período do Ferro e até hoje em dia.

Conheça aqui um pouco dessa estória que construiu o maior pólo de exportação de minério do Brasil e um dos maiores do mundo.

1560 – Braz Cubas.

Era o ano de 1560 quando Braz Cubas descobriu, nas terras em que hoje se encontra Minas Gerais, a possibilidade de exploração de matéria prima. Começava ali uma história que envolve riquezas, delimitação de territórios, desenvolvimento humano, econômico e científico da área agora conhecida como Quadrilátero Ferrífero. Conheça alguns períodos e tecnologias dessa história:

1690 – Lavra.

Em 1690, as expedições para cá direcionadas foram intensificadas. Esse foi o primeiro grande rush minerador da história mundial. Nos 30 anos seguintes, quase todo o território das Minas Gerais estava ocupado, por cidades e vilas, construídas para a acomodação dos exploradores de ouro. Nessa época, a lavra não contava com habilidades técnicas, ferramentas desenvolvidas, tampouco planejamento. O começo do processo se deu com peneiras, nos leitos dos rios e aluviões, que são os depósitos de sedimentos como areia e cascalho. Depois, margens, encostas e montanhas começaram a ser exploradas com mundéus de alvenaria. Esse tipo de exploração precário, sem fiscalização, conhecimento ou pensamentos a longo prazo, levou ao declínio do ouro a partir de 1760.

1760 – Pesquisa científica.

Com o fim do ciclo do ouro, a coroa portuguesa decidiu enviar ao Brasil os naturalistas. Pesquisadores, desbravadores e cientistas que ajudariam a mapear novas possibilidades de exploração das terras das Minas Gerais. Platina, cobre, chumbo e outros metais foram identificados no primeiro real mapeamento geológico brasileiro, mais especificamente em Minas.

José de Sá Bitencourt e Accioly. Nascimento: 1754 – Brasil Exploração: 1787

José de Sá Bitencourt e Accioly nasceu em Caetés, Minas Gerais, em 1754 ou 1755. Formou-se em Filosofia, em Coimbra (Portugal) habilitando-se para a profissão de naturalista. Após a formatura, voltou à Minas Gerais e fez experiências com fundição de ferro. Mais tarde, foi implicado como inconfidente e denunciado pelo visconde de Barbacena. Foi absorvido e encarregado pela coroa portuguesa de fazer pesquisas mineralógicas, recebendo o cargo de inspetor das minas de salitre de Montes Altos.

Na vigência de sua administração, construiu a fábrica de salitre em Montes Altos e abriu uma estrada para escoamento da produção até o litoral baiano.
Em 1787 escreveu Memória Mineralógica do Terreno Mineiro da Comarca de Sabará e descreveu a constituição geológica dos terrenos da região de Sabará.

José Vieira Couto. Nascimento: 1752 – Brasil. Exploração: 1801

Brasileiro nascido em uma rica família do Arraial do Tejuco, envolvida com atividades mineradoras, estudou Matemática e formou-se em Filosofia pela Universidade de Coimbra (Portugal), em 1778. Era dono de uma eclética biblioteca de mais de 600 volumes, fato bastante incomum nos sertões das Minas setecentistas. Foi desligando pela coroa para aplicar seus conhecimentos científicos no levantamento das potencialidades econômicas da região onde vivia. Viajou pela Comarca do Serro do Frio, localizada ao norte da capitania das Minas e, de suas observações de campo resultou a Memória sobre a Capitania de Minas Gerais..., datada de 1801, em que mostrava convicção na viabilidade econômica da exploração dos recursos minerais da região. Para isso, enviou a Portugal amostras de ouro, prata, ferro, cobre, chumbo, estanho, enxofre caparrosa e nitro, com suas respectivas descrições científicas e indicações da qualidade e quantidade existentes.

Vinda da Coroa Portuguesa ao Brasil – 1808

A transferência da corte portuguesa para o Brasil foi o episódio da história de Portugal e da história do Brasil em que a família real portuguesa, a sua corte de nobres e mais servos e demais (tais como valetes) se radicaram no Brasil, entre 1808 e 1821, tendo a leva inicial de 15 000 pessoas.

Barão de Eschwege. Nascimento: 1777 – Alemanha. Exploração: 1808

O Alemão Wilhelm Ludwing Von Eschwege nasceu em 1777 e foi um geólogo, geógrafo, arquiteto e metalurgista. Quando em 1808, a corte português veio para o Brasil, Eschwege foi contratado para vir junto e estudar o potencial mineiro. Foi o primeiro a realizar uma exploração geológica de carácter científico no Brasil. Eschwege iniciou, em Congonhas do Campo, os trabalhos de construção de uma fábrica de ferro, denominada de “Patriótica”, e, em 1812, sua siderurgia já produzia em escala industrial. Além de sua contribuição para o desenvolvimento econômico e de aplicação de tecnologias e otimização de processos, ele também foi um explorador que deixou uma vasta obra de destaque, estão publicações européias: Pluto Brasiliensis, de 1833 e Contribuições para a Orografia Brasileira.

Mawe. Nascimento: 1764 – Inglaterra. Exploração: 1809

Mineralogista inglês nascido em 1764, John Mawe escreveu mais de dez trabalhos sobre mineralogia e geologia ao redor do mundo. Entre 1809 e 1810, esteve em Minas Gerais, com autorização de Dom João, para visitar e escrever sobre as jazidas de Diamantes. Uma de suas publicações, de 1812, foi Viagens pelo interior do Brasil, particularmente nos distritos de ouro e diamantes de nosso país, ou seja, Minas Gerais.

Fábrica Patriótica – 1812

Em 1812 o barão Wilhelm Ludwing Von Eschwege instalou no arraial, com a intenção pioneira no país de produzir ferro, sua Fábrica Patriótica, com Friedrich Ludwing Wilhelm Varnhagen e o intendente Câmara, sendo tal local situado às margens da rodovia BR 040, nas proximidades da Mina da Fábrica (nome dado em alusão a “Fábrica Patriótica).

Saint-Hilaire. Nascimento: 1779 – França. Exploração: 1816

O francês Augustin François Cesar Prouvençal de Saint-Hilaire, nascido em 1779 foi um botânico, naturalista e viajante francês que passou alguns anos de sua vida no Brasil, entre 1816 e 1822. Entre suas diversas publicações, há: “Quadro Geográfico da Vegetação Primitiva na Província de Minas Gerais”, “Viagem ao Espírito Santo e Rio Doce” e “Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais”.

Spix. Nascimento: 1781 – Alemanha. Exploração: 1817

Johann Baptiste Von Spix, alemão, nascido em 1781, foi um naturalista. Junto de Martius, estudou plantas medicinais, mapeou a flora e integrou a comitiva científica da arquiduquesa Leopoldina que veio ao Brasil se casar com Dom Pedro. Passou três anos no Brasil, em expedição que começou no Rio de Janeiro e visitou São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. Elaborou tratados e obras de Botânica, Taxonomia, fitogeografia, etnografia, lingüística, costumes indígenas e plantas medicinais.

A Estrada Real foi uma etapa importante da viagem de Spix e Martius: entre Vila Rica, hoje Ouro Preto, e o Distrito Diamantino, sediado em Tijuco, hoje Diamantina.

Martius. Nascimento: 1794 – Alemanha. Exploração: 1817

Carl Friedrich Philipp von Martius nasceu na Alemanha em 1794 e foi médico, botânico, antropólogo e um dos mais importantes pesquisadores alemães que estudaram o Brasil. Junto de Spix, estudou plantas medicinais, mapeou a flora e integrou a comitiva científica da arquiduquesa Leopoldina que veio ao Brasil se casar com Dom Pedro. Passou três anos no Brasil, em expedição que começou no Rio de Janeiro e visitou São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. Elaborou tratados e obras de Botânica, Taxonomia, fitogeografia, etnografia, lingüística, costumes indígenas e plantas medicinais.

A Estrada Real foi uma etapa importante da viagem de Spix e Martius: entre Vila Rica, hoje Ouro Preto, e o Distrito Diamantino, sediado em Tijuco, hoje Diamantina.

Pohl. Nascimento: 1782 – Áustria. Exploração: 1817

Johann Baptist Emanuel Pohl foi médico, geólogo, botânico e desenhista. Atuou como conservador do Real e Imperial Gabinete de História Natural do Imperial Museu do Brasil, em Viena. Mas antes disso – e para isso – , integrou a Missão Austríaca ao Brasil entre 1817 e 1822, na mesma comitiva em que vieram Spix e Martius – a da arquiduquesa Maria Leopoldina de Áustria para o casamento com o príncipe D. Pedro de Alcântara, futuro imperador D. Pedro I.

Veio como encarregado da parte de mineralogia, assumindo depois a de botânica. Desligou-se da expedição e empreendeu uma viagem de quatro anos pelo interior do Brasil, atravessando o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Roque Schuch. Nascimento: 1788 – Áustria. Exploração: 1817

Outro explorador da comitiva de Maria Leopoldina, Schuch era o bibliotecário particular da imperatriz brasileira.

Mineralogista, tornou-se ainda bibliotecário particular também de D. Pedro II e diretor do Gabinete Mineralógico da Sua Majestade. Em 1834 visitou a mina de Cata Branca, no Pico do Itabirito, onde descobriu a existência de bismuto, telúrio e antimônio no minério sulfetado de ouro.

1824 – os ingleses da Imperial Brazilian Mining Association, se instalam para realizar mineração em Gongo Soco, município de Caeté.

Helmreichen. Nascimento: Áustria. Exploração: 1836

Virgil von Helmreichen zu Brunnfeld formou-se em geologia e engenharia de minas na atual Eslováquia, em 1826. A partir de 1829 trabalhou em diversas funções ligadas à mineração e, em 1836, trabalhou na sociedade inglesa-brasileira em Minas Gerais, onde atuou principalmente na mineração de ouro. É conhecido por ter cruzado o continente sul-americano para obter um perfil geológico da América do Sul. Em Minas estudou, principalmente, as regiões auríferas e diamantíferas do quadrilátero ferrífero.

George Gardner. Nascimento: 1810 – Escócia. Exploração: 1836

Médico e botânico britânico, George Gardner esteve no Brasil entre 1836 e 1841, onde teria colecionando cerca de 60 mil plantas. Passou por Rio de Janeiro e arredores, Bahia, Pernambuco, sertões do Ceará e Piauí e, depois, Goiás e Minas Gerais. Suas pesquisas foram tão importantes que, em 1820, o gênero Gardneria, da família das Loganiaceaes foi nomeado em sua homenagem.

Em 1846 publicou Viagens no interior do Brasil.

Pissis. Nascimento: 1812 – França. Exploração: 1836

Pierre Joseph Aimé Pissis foi um naturalista francês que chegou ao Brasil por volta de 1836. Aqui registrou em desenhos e aquarelas sua passagem por várias cidades: Salvador, Ouro Preto, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, São Paulo e Itu. Consta que delineou “nosso primeiro mapa geológico”, para Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Encarregado pelo governo chileno de realizar levantamento mineralógico e geográfico, Pissis acreditava que a geologia do Brasil poderia ser uma peça esclarecedora da geologia da América.

Conde de Castelnau. Nascimento: 1810 – Inglaterra. Exploração:1843

François Louis Nompar de Caumont LaPorte, o conde de Castelnau nasceu em 1810 na Inglaterra e foi um naturalista. Após estudar história natural em Paris, atuou a serviço da França e realizou expedições científicas no Canadá e Estados Unidos.

Entre 1843 e 1847, cruzou a América do Sul, com dois botânicos e um taxidermista. Sua relação com o Brasil voltou a se estreitar em 1848 quando serviu como cônsul francês na Bahia.
Suas publicações naturalistas incluem relatos da passagem por Minas Gerais, muitas delas, feitas pelo companheiro de viagem, Eugène d’Orsay.

1860 – O processo de fundição do ferro deixa de ser realizado de forma artesanal em pequenas forjas e recebe processos industriais na bacia do rio das Velhas, em Caeté.

Richard Burton. Nascimento: 1821 – Inglaterra. Exploração: 1865

Capitão Sir Richard Burton nasceu na Inglaterra em 1821 e exerceu as mais diversas atividades, como escritor, tradutor, lingüista, geógrafo, poeta, antropólogo, orientalista, erudito, espadachim, explorador, agente secreto e diplomata britânico que falava 29 idiomas e vários dialetos. Trabalhou na Europa, Ásia, África e, na América, esteve no Brasil, onde percorreu o Rio São Francisco, em Minas Gerais e Bahia.

1904 – instalada a Estrada de Ferro Vitória-Minas.

1917 – instalou-se em Sabará a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira.

1934 – Código de Minas

Minerais industriais como carvão, petróleo, ferro e manganês tornaram-se demandas no processo de industrialização pós-Primeira Guerra. Dessa vez, o Estado decidiu intervir na economia para regular e intervir no setor mineral.

Em 10 de Julho de 1934, foi promulgado pelo então presidente Getúlio Vargas, o Código de Minas, que fazia da legislação mineral competência exclusiva da União.

1940 – Construção da CSN

Em 1940, uma moderna indústria siderúrgica começou a ser construída e fez nascer estatais como a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce, atual Vale.

A partir daí, a história é conhecida. Empresas, indústrias, desenvolvimento, pesquisa e tecnologia de ponta são acessíveis à exploração da matéria prima contida no solo mineiro; Grupos, especialistas e defensores da natureza atuam na tentativa de buscar o equilíbrio entre o homem e o meio; Cidades, escolas e identidades se formaram ao redor dessa história. E é tudo isso que você conhece , reconhece, explora e entende através do Geopark, que pretende contribuir para que o futuro seja ainda melhor.

1942 – Criada a Companhia Vale do Rio Doce.

1945 – Indústria

Ao fim da Segunda Guerra Mundial a política de industrialização brasileira foi acentuada, já que as importações eram mais difíceis e perigosas. A produção local foi acelerada ao mesmo tempo que a matéria-prima era demandada por países em conflito. Foi então que o setor mineral e siderúrgico ganhou ainda mais atenção, investimentos e infra-estrutura.

1956 – Fundada a Usiminas.

2006 – Um conglomerado industrial multinacional de empresas de aço forma a ArcelorMittal S.A., a maior produtora de aço do mundo.

2014 – A Anglo American começa a operar o maior mineroduto do mundo, com 529km de extensão e que atravessa 32 municípios, de Conceição do Mato Dentro (MG) a São João da Barra (RJ).

2015 – 60% de toda a produção brasileira de minério de ferro sai do quadrilátero ferrífero, abastece as usinas siderúrgicas nacionais e produz para exportação.

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Curadoria Digital: Helio Martins

Textos: Thais Pacheco

Imagens: Bruno Senna, Helio Martins - Raw Filmes

Interpretação da paisagem: Doutora Jeanne Cristina Menezes Crespo

Ilustrações: Leandro Moraes - Estúdio Caraminholas

Música: Sergio Pererê

Coordenação Geral: Renato Ciminelli - Presidente do Instituto Quadrilátero / Geopark