PRESERVAÇÃO

A Constituição Brasileira define, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, que o poder público pode e deve definir, em todos os estados e municípios, espaços territoriais a serem especialmente protegidos. Quando definidos esses limites, essas áreas não podem ter qualquer utilização que comprometa sua proteção. Trata-se do sistema nacional de unidades de conservação, o SNUC. Essas unidades podem ser de proteção integral, para proteger a biodiversidade, ou de uso sustentável, que permite a exploração com cuidado especial também à manutenção da biodiversidade.

Essas áreas recebem denominações de acordo com suas especificidades e, na área do Geopark Quadrilátero, há várias delas. São Áreas de Proteção Ambiental, Parques Estaduais, Monumentos Naturais, Estações Ecológicas e Tombamentos. Há ameaças de todos os tipos, como a especulação imobiliária, as atividades mineradoras e a exploração não sustentável. Mas há, no caminho inverso, grande preocupação com a conservação e atividades de proteção.

Áreas Protegidas

APA SUL

A Área de Proteção Ambiental Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte – APA Sul, abrange uma área de mais de 163 mil hectares situada nos municípios de Belo Horizonte, Barão de Cocais, Brumadinho, Caeté, Catas Altas, Ibirité, Itabirito, Mário Campos, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Santa Bárbara e Sarzedo.

A importância dessa área inclui aspectos hídricos e biodiversidade de ecossistemas. A área tem grande ligação sociocultural e econômica com sua história de mineração - a grande responsável pelo surgimento de núcleos populacionais; história que começa no século 18, com a exploração do ouro, e continua com a mineração de ferro.

Reservas Particulares do Patrimônio Natural Sinclinal Moeda

Quatro reservas desse tipo localizadas dentro da APA Sul estão na sinclinal da Serra da Moeda e são áreas que merecem grande atenção, pois estão situadas nas propriedades de empresas mineradoras. Como já citado, há, nesse local, ecossistemas raros e espécies endêmicas. As reservas também abrigam nascentes e reservas subterrâneas de importância hidrológica regional.

Parque Estadual Serra do Rola Moça

Este local abriga seis mananciais de abastecimento de água para a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Elas compõem Áreas de Proteção Especial, que é uma categoria de unidade de conservação existente apenas em Minas Gerais, com objetivo específico de conservação dos mananciais.

De acordo com a Lei Federal, a captação de água em um Parque é uma atividade conflitante com essa categoria. Porém, a criação da unidade se deve, justamente, à existência dos mananciais que continuam sendo utilizados para a captação de água.

Essa área também abriga uma estrada que leva à Casa Branca, distrito de Brumadinho, um problema de preservação, assim como o enfrentado pela captação de água no Parque ou, como no exemplo das Reservas do Sinclinal Moeda, pertencerem às mineradoras. Ainda assim, a unidade conta com infraestrutura, plano de manejo e conselho consultivo.

Serra da Calçada

A Serra da Calçada, localizada em Nova Lima, cidade que faz limite com Belo Horizonte, está protegida de três maneiras. Ela pertence aos limites da APA Sul, é Monumento Natural de Nova Lima e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais-IEPHA. A UNESCO também deu à Serra o título de ‘‘Reserva da Biosfera’’, dentro do contexto ambiental da Serra do Espinhaço.

Cabe à Serra da Calçada dividir as bacias dos rios Paraopeba e das Velhas, importantes mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela arquiva sítios históricos e arqueológicos e é ameaçada, especialmente, pela expansão sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, além das atividades minerárias.

A Serra também é ocupada por turistas e praticantes de esportes, por isso deve, ao mesmo tempo, servir e ser protegida. As questões socioambientais não devem ser ignoradas, mas é preciso proteger este patrimônio.

A Estação Ecológica de Fechos

Também localizada em Nova Lima, essa estação abriga várias nascentes do Córrego Tamanduá, Fechos e, consequentemente, o Rio das Velhas, este último, um dos formadores da Bacia do Rio São Francisco.

O local, protegido por lei desde 1994, depende ainda hoje de revitalização e, além das águas, pede atenção à fauna e flora. A administração de Fechos é feita pelo mesmo Plano de Manejo do Parque do Rola Moça e tem como principal objetivo, no momento, minimizar o impacto urbano e atividade minerária já existente no local.

Fechos abriga, ainda, ambientes naturais onde estão espécies biológicas em extinção e corredores ecológicos do Sinclinal Moeda. Mesmo assim, recebe esgoto do bairro Jardim Canadá, de Nova Lima, posteriormente tratado e consumido por grande parte da população de Belo Horizonte. Essa água precisa ser preservada, pois abastece140 mil pessoas na Região Sul de Belo Horizonte e em Nova Lima.

Estação Ecológica de Arêdes e Monumento Natural da Serra da Moeda

Essas duas áreas de preservação, localizadas no município de Itabirito, já foram criadas, por lei, porém, ainda estão em fase de implementação.

Arêdes, mais uma vítima da exploração não sustentável de mineração do ouro, agropecuária e instalação urbana, tem história para contar: abriga elementos de paisagem que orientavam exploradores no século 17. Pode ser, ainda, usada como referência para outras áreas de preservação, servindo como exemplo de processos de recuperação de áreas degradadas, como aconteceu com ela.

O monumento da Serra da Moeda, por sua vez, abriga duas reservas biológicas municipais, com mais de 1.500 espécies endêmicas de plantas, e já perdeu mais de 3/4 de sua vegetação original.

Ongs e Instituições

Há, dentro da área do Geopark, diversas organizações dispostas a contribuir para a preservação, informação e defesa do meio ambiente. A Sociedade Civil também pode e deve atuar na preservação. Conheça algumas das ações:

Ongs e instituições

AMDA
Associação Mineira de Defesa do Ambiente

Fundada em 1978, essa entidade sem fins lucrativos, que vive da realização de projetos e contribuições dos associados, com a força de seus voluntários, tem entre suas atribuições, fazer denúncias e reivindicações, atuar na política ambiental, promover manifestações, debates, encontros e reuniões.

Entre as ações ecopolíticas e sensibilização ambiental, a AMDA realiza blitzes ecológicas, produz cartilhas, apoia e divulga projetos como a observação de aves, trena e mantém brigadas de incêndio, junto a empresas.

Alguns dos projetos executados pela associação são: Projeto Asas, de soltura de pássaros apreendidos pela Polícia Militar; Oásis Brumadinho, premiação de proprietários rurais por serviços ambientais gerados em suas áreas; Brigadas de prevenção e combate a incêndios florestais, com a brigada voluntárias de combate e prevenção.

ARCA AMASERRA
Associação para recuperação e conservação ambiental em defesa da Serra da Calçada

Organização não governamental sem fins lucrativos, de utilidade pública, fundada em 2007, a ARCA já conseguiu mais de 16 mil hectares protegidos e uma rede com mais de mil apoiadores para contribuir para o desenvolvimento humano por meio da preservação, conservação e recuperação ambiental e cultural das serras da Moeda, Curral e entorno.

Os trabalhos se dão através de campanhas, como a Coleção de livros virtuais “Serra da Moeda – Um Patrimônio para o mundo” (em 2015, ainda em fase de captação de verba), com 14 fascículos que apresentam, em conteúdo multimídia, o patrimônio cultural, material e imaterial da Serra da Moeda.

Há diversos projetos, como os de divulgação da importância da Serra da Moeda, gestão participativa das águas das micro bacias Hidrograficas de Macacos, Cardoso Cristais e Peixes, que nascem na serra da Moeda e a criação de um museu interativo da água.

 

ABRACE A SERRA DA MOEDA

Organização não governamental sem fins lucrativos, fundada – como ONG - em 2012, reúne dezenas de comunidades que há anos já se articulavam para se opor ao projeto de exploração mineral na Serrinha (Serena), na Serra da Moeda, Brumadinho - MG. A ABRACE reivindica a implantação do Monumento Natural na Mãe D’água na Serra da Moeda como modo de proteger a montanha, mais de 30 nascentes e a biodiversidade do local.

Entre as ações está a arrecadação e distribuição de brinquedos no Vale do Paraopeba, mutirão para a limpeza da Serra, articulações políticas ambientais com representantes do governo, denúncias e uma ação já bastante conhecida na região, o abraço na Serra que, na última edição, em 2014, reuniu 8 mil pessoas para dar um abraço simbólico na Serra.

O movimento abrace a Serra da Moeda nasceu em 2008 e acontece em todo dia 21 de abril, data escolhida propositalmente já que a inconfidência mineira simboliza a luta dos mineiros contra a exploração de nossas riquezas naturais. O protesto é pela preservação da Serra da Moeda, especialmente a área que abarca a mina Serrinha, desativa há 15 anos e que se explorada, causará grandes impactos no entorno e Região Metropolitana de Belo Horizonte.

PROJETO MANUELZÃO - UFMG

O Projeto Manuelzão foi criado em janeiro de 1997 por iniciativa de professores da Faculdade de Medicina da UFMG. O surgimento do Manuelzão está ligado às atividades do Internato em Saúde Coletiva (“Internato Rural”), disciplina obrigatória da grade curricular do curso de Medicina em que os estudantes passam três meses em municípios do interior de Minas Gerais desenvolvendo atividades de medicina preventiva e social. O histórico das experiências desses professores e estudantes revelou que não bastava, período a período, medicar a população. Mais que isso, era preciso combater as causas das doenças. A partir da percepção de que a saúde não deve ser apenas uma questão médica, foi esboçado o horizonte de trabalho do Projeto Manuelzão: lutar por melhorias nas condições ambientais para promover qualidade de vida, rompendo com a prática predominantemente assistencialista.

A bacia hidrográfica do rio das Velhas foi escolhida como foco de atuação. Essa foi uma forma de superar a percepção municipalista das questões ambientais. A bacia permite uma análise sistêmica e integrada dos problemas e das necessidades de intervenções.

Atualmente, o projeto é assinado pela Universidade Federal de Minas Gerais e atua na educação, mobilização e pesquisa, tendo como base de trabalho e atuação a Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas.

Brigadas e Iniciativas de Empresas

A união de forças, conhecimento e infra-estrutura de sociedade civil e empresas também é um bom negócio para a natureza. Grandes parte da area do Geopark Quadrilátero Ferrífero é ocupada pela exploração minerária e responsabilidade ambiental também é cobrada dessas empresas. Entre as ações que funcionam, há as brigadas de incêndio. Conheça algumas delas e onde estão localizadas:

Brigadas

Vale

Mariana, Itabira, Barão de Cocais, Itabirito e Nova Lima

Em junho de 2014, a Vale assinou um convênio com o Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) para repasse de recursos para a manutenção de cinco bases de brigadistas florestais. O raio de atuação de cada uma delas é de 50 quilômetros.

Ferrous

Serra da Moeda, Parque Estadual da Serra do Rola Moça, estações ecológicas de Aredes e Fechos

Em julho de 2011, a AMDA, por meio de parceria com a Ferrous, implantou uma brigada na Serra da Moeda, na zona de influência das unidades de conservação Monumento Natural da Serra da Moeda, Parque Estadual da Serra do Rola Moça e estações ecológicas de Aredes e Fechos. O grupo, composto por nove brigadistas e um coordenador, contou com supervisão da Amda e da Ferrous e apoio da brigada voluntária da entidade.

Gerdau

Em novembro de 2011, a Amda selou, nos mesmos moldes, parceria com outra empresa: a Gerdau. A iniciativa deu origem a uma brigada composta por 10 contratados e um coordenador para atuação na mesma área durante três anos. A AMDA é responsável pelo constante monitoramento ambiental da área proposta, através de cálculos de risco de incêndio, detecção de queimadas por imagens de satélite e diagnóstico climático.

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Promotoria

Apoio Técnico:

GGN

Apoiadores Financeiros:

CNPQ  Finep  Fapemig

Parceiros:

INCT Acqua  Codap  Cedecap

Uma realização:

Instituto Quadrilátero  Geopark Quadrilátero Ferrífero

Produção:

Orange Editorial

Curadoria Digital: Helio Martins

Textos: Thais Pacheco

Imagens: Bruno Senna, Helio Martins - Raw Filmes

Interpretação da paisagem: Doutora Jeanne Cristina Menezes Crespo

Ilustrações: Leandro Moraes - Estúdio Caraminholas

Música: Sergio Pererê

Coordenação Geral: Renato Ciminelli - Presidente do Instituto Quadrilátero / Geopark