Pré-História

Os Primeiros Registros

Por Alenice Baeta, Artefactto Consultoria

A região central de Minas Gerais foi habitada há pelo menos 12.000 anos por grupos pré-históricos caçadores coletores. Estes grupos foram atraídos por locais que tivessem rios e lagoas além de abrigos rochosos naturais, sobretudo calcários e no quartzito na Serra do Espinhaço e no Platô Cárstico de Lagoa Santa.

Segundo as novas teorias sobre as afinidades biológicas dos primeiros habitantes americanos, os grupos paleo-índios mais antigos pertenciam, possivelmente às populações nativas africanas, segundo Blum e Neves (2002). Em Minas Gerais, foram encontrados indivíduos que podem ser atribuídos a este primeiro estoque biológico. O primeiro crânio que chamou atenção para esta possibilidade ficou conhecido como ‘’Luzia’’, tendo sido escavado na década de setenta pela Missão Franco Brasileira em uma caverna§ no município de Pedro Leopoldo. Posteriormente, houve então a ocupação de outra leva de grupos mongolóides típicos, ainda segundo Blum e Neves (2002):

"O primeiro deles carregaria uma morfologia generalizada e de maior antiguidade; o segundo estoque, mais recente, teria dado origem à grande maioria dos índios presentes na América de pré-contato. Entretanto, esclarecimentos acerca das relações entre as populações desses dois estoques biológicos diferenciados, das datas exatas de suas entradas no novo mundo, das rotas por elas tomadas desde sua saída da Ásia e de seus hábitos ainda necessita de muitas investigações adicionais".

Testemunhos materiais das ocupações destes grupos humanos podem ser encontrados em vários sítios arqueológicos, tanto em abrigos sob rocha como em locais a céu aberto. Os principais indícios encontrados pelos arqueólogos são: instrumentos pétreos lascados e polidos, figurações rupestres, estruturas de combustão, pisos arqueológicos, buracos de poste, sepultamentos, restos alimentares, fragmentos de vasilhames cerâmicos (ocupações mais recentes), dentre outros.

Estes vestígios são os principais testemunhos de milênios de ocupação humana durante o todo o Holoceno, até a chegada dos primeiros colonizadores, quando parte dos povos já praticavam, pelo menos, uma agricultura incipiente, sendo que em alguns casos, em maior escala.

Ocupações mais recentes (atribuídas aos dois últimos milênios) de povos ceramistas também foram identificadas em sítios a céu aberto nas zonas mais baixas do Alto Vale do Paraopeba, como no interior de algumas cavernas ferruginosas da região da Serra da Moeda e arredores, indicando um novo modelo de ocupação pré-colonial neste tipo de substrato rochoso.

Na Serra da Calçada há um abrigo em abrigo no quartzito com figurações rupestres. Estas figurações, por suas características estilísticas e técnicas podem ser atribuídas à ‘Tradição Estilística Planalto’, encontradiça em toda a região central de Minas Gerais.

As figuras apresentam predomínio visual de figuras monocrômicas zoomorfas, sobretudo cervídeos e peixes associados a conjuntos compostos por pontos, pequenos traços ou bastonetes, além de formas humanas filiformes. Na Serra do Cipó, estas figurações apresentam maiores detalhes anatômicos em suas representações, além de um tratamento gráfico ou preenchimento das mesmas por traços e pontos. Já na região calcária, as figurações apresentam-se mais ‘toscas’, com preenchimento chapado, de um modo geral.

Grafismos rupestres identificados em Brumadinho, pode-se, a princípio, afirmar que o ponto de vista gráfico, estes apresentam características estilísticas peculiares da conhecida Tradição Planalto, do Carste como da Serra do Espinhaço, apresentando assim mesclas destas duas variedades. Possivelmente, a Serra da Moeda tenha sido um roteiro alternativo ao sul, entre a região do Gandarela, Cipó e do Carste.

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