Pico do Itacolomi
Pico do Itacolomi

No final do século 17, as descobertas de ouro nas imediações de Sabará e Ouro Preto provocaram um grande deslocamento de pessoas para a região central de Minas Gerais. Os picos e serras mais elevados que se destacavam na paisagem - como a Serra de Ouro Branco, o Pico do Itacolomi, o Pico de Itaubira, a Serra do Curral, a Serra da Piedade e a Serra do Caraça - serviam como referências geográficas para o deslocamento dos bandeirantes e depois dos tropeiros, caixeiros viajantes, mercadores de gado e, finalmente, para os viajantes naturalistas que se aventuravam pelas Minas Gerais.

Itacolomi é um nome de origem indígena que significa ‘‘pedra com seu filho’’, Spix e Martius, que subiram o pico, falaram sobre sua marca na paisagem: ‘‘o Itacolomi, ensombrado na base pela negrura das matas e destacando-se de todos os vizinhos com o seu píncaro rochoso e nu, domina toda a região’’.

Outro naturalista, Tschudi, relata que o ponto mais alto do Itacolomi é o ressalto à esquerda, próximo à depressão sinuosa da montanha, e que o rochedo menor tem, próximo à ponta orientada para o maior, uma fenda onde viveu, durante vários anos, um ermitão de origem espanhola.

A beleza e a imponência do pico impressionaram o viajante.

  • Pico do Itacolomi
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  • Tschudi

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    Naturalista
  • Richard Burton

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    Explorador britânico, Burton também se impressiona com o Pico do Itacolomi e faz dele a mais bela paisagem vista de Ouro Preto.
  • Somente no segundo dia de estada em Ouro Preto é que avistei, à tarde, o pico do Itacolomi localizado defronte a cidade. Até então, ele estava encoberto por nuvens densas e escuras. Sua visão me surpreendeu. A rocha nua e fraturada, as encostas cobertas por vegetação escassa, a rocha do pico com uma forte inclinação para o lado e na base de outro rochedo, quase na forma de uma coluna, posicionado na direção contrária a primeira forma, em seu conjunto, uma paisagem pitoresca e rara.

  • A vista mais bela está a alguns passos para o sul, onde avistamos no horizonte, elevando-se acima do paredão das montanhas, o Itacolomi, a ‘Pedra e o Indiozinho’. Um alto e negro bloco monolítico projeta sua forma regular contra o céu, curvando-se em um ângulo de 45°. Ao seu lado, fica um bloco relativamente pequeno, que os homens vermelhos, pitorescos em sua linguagem não escrita, compararam a uma criança, de pé ao lado da mãe. Talvez o nome faça alusão a alguma esquecida metamorfose de fábula indígena e, talvez, também, tenha sido ideia de algum poeta mineiro

O Parque do Itacolomi

O pico do Itacolomi está localizado no Parque Estadual do Itacolomi, criado em 1967. De acordo com o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, o parque possui uma área de 7.543 hectares de matas onde predominam as quaresmeiras e candeias ao longo dos rios e córregos. Nas partes mais elevadas, aparecem os campos de altitude com afloramentos rochosos, onde se destacam as gramíneas e canelas de emas.

A área abriga muitas nascentes, escondidas nas matas, que deságuam, em sua maioria, no rio Gualaxo do Sul, afluente do rio Doce. Os mais importantes são os córregos do Manso, dos Prazeres, Domingos e do Benedito, o rio Acima e o ribeirão Belchior.

Diversas espécies de animais raros e ameaçados de extinção podem ser encontrados na unidade de conservação, como o lobo guará, a ave-pavó, a onça parda e o andorinhão de coleira (ave migratória). Também podem ser vistas espécies de macacos, micos, tatus, pacas, capivaras e gatos mouriscos. Levantamentos identificaram mais de 200 espécies de aves, como jacus, siriemas e beija-flores.

FAZENDA DO MANSO

Outra atração do parque, vizinha ao Pico do Itacolomi, é a Fazenda do Manso, um exemplar da arquitetura colonial deixado pelos bandeirantes em Minas e hoje tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico. Restaurada, a antiga sede da fazenda, a Casa do Bandeirista, é o Centro de Visitantes do Parque. Foi construída entre 1706 e 1708 e é uma das três amostras da arquitetura paulista em Minas Gerais, considerada por especialistas o primeiro prédio público do Estado, pois servia para cobrança de impostos e vigilância das minas.

A Fazenda do Manso foi um polo produtor de chá na primeira metade do século 20. O Museu do Chá abriga o maquinário alemão usado no beneficiamento do chá colhido nas lavouras da fazenda.

Outra atração é a Capela de São José que possui uma Via-Sacra diferente, feita por artistas plásticas ouropretanas que utilizaram materiais colhidos na natureza para sua confecção. Também merecem destaque a Fazenda do Cibrão e as ruínas da Casa de Pedra. A Chácara dos Cintra é outra atração com suas ruínas e um grande portal em pedra sabão.

 

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Promotoria

Apoio Técnico:

GGN

Apoiadores Financeiros:

CNPQ  Finep  Fapemig

Parceiros:

INCT Acqua  Codap  Cedecap

Uma realização:

Instituto Quadrilátero  Geopark Quadrilátero Ferrífero

Produção:

Orange Editorial

Curadoria Digital: Helio Martins

Textos: Thais Pacheco

Imagens: Bruno Senna, Helio Martins - Raw Filmes

Interpretação da paisagem: Doutora Jeanne Cristina Menezes Crespo

Ilustrações: Leandro Moraes - Estúdio Caraminholas

Música: Sergio Pererê

Coordenação Geral: Renato Ciminelli - Presidente do Instituto Quadrilátero / Geopark