Mirante Digital: Boa Morte

Serra da Moeda

1. Sinclinal da Serra da Moeda

O mirante de Boa Morte fica em região montanhosa paralela ao Sinclinal da Serra da Moeda, uma mega estrutura geológica composta por um conjunto de ambientes montanos nitidamente distinguíveis na paisagem regional, formada pela Serra da Moeda, Serra das Serrinhas, Serra dos Três Irmãos, Serra dos Mascates, Serra do Esmeril, dentre outras.

O Sinclinal da Moeda nasce nos municípios de Nova Lima e Brumadinho. Desde seu início, este compreende em sua margem direita, considerando orientação norte-sul, o território dos Municípios de Nova Lima, Itabirito, Ouro Preto e Congonhas. Na sua margem esquerda, os Municípios de Brumadinho, Moeda, Belo Vale e Jeceaba.

O território da Serra da Moeda corresponde às formações geológicas chamadas de Moeda e Cauê que são conexas às altitudes superiores a 1.400 metros, enquanto cotas inferiores associam-se principalmente à Formação Gandarela.

2. Comunidade Quilombola de Boa Morte

A comunidade quilombola de Boa Morte, reconhecida pela Fundação Cultural Palmares e 2005, consta de aproximadamente 400 pessoas (CEDEFES) e localiza-se a 06 km da sede do município de Belo Vale. Localizada no entorno da Serra da Moeda, a comunidade constituída a partir do século XVIII por descendentes de escravos que trabalhavam nas fazendas locais, apresenta ambiente em estado de degradação paisagístico, em consequência das atividades mineradoras. Ainda, o saneamento básico do local é precário e a água consumida pela comunidade está poluída.

A comunidade possui um conjunto arquitetônico composto por edificações antigas e ruínas, no qual se destaca a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte e o largo que se estende a sua frente. As primeiras referências desta edificação datam da década de 1730 e são formadas por registros de batizados da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Congonhas. A data inscrita no frontispício do edifício é ‘‘1760’’, que corresponderia ao término da sua construção.

3. Sede Distrital de Belo Vale

A sede distrital de Belo Vale encontra-se no município de mesmo nome, com extensão de 365,923 km2 e população estimada em 7.803 habitantes (IBGE, 2014). Por estar localizada no quadrilátero ferrífero, é uma cidade onde se notifica intensa atividade de extração de minério de ferro. A economia da cidade se vê voltada para a agricultura, destacando-se a produção de Tangerina Pocan.

A sede de Belo Vale, atualmente, conta com área total de 5 km2 e foi fundada em 1681 por bandeirantes. De seu histórico de povoamento, configurou-se um Patrimônio Histórico Urbano dentre os quais destacamos: a edificação na qual se instalou o Museu do Escravo, pioneiro do gênero no Brasil; a Igreja de São Gonçalo, fundada em 1764 por Gonçalo Alvares e Paiva Lopes; o Casarão dos Araújo, (sobrado da praça), datado de 1929 e o Conjunto Ferroviário, datado 1917, ambos construídos em estilo inglês.

4. Fazenda Boa Esperança

A Fazenda da Boa Esperança está localizada a 5 km da sede do município de Belo Vale e foi construída, provavelmente, no último quartel do século XVIII. Pertenceu por muito tempo à família Monteiro de Barros, tendo sido adquirida por volta de 1790 pelo Barão de Paraopeba, Romualdo José Monteiro de Barros. Atualmente, a propriedade pertence ao Estado de Minas Gerais e, por este, foi doada ao IEPHA/MG - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Lei nº 6.485 de 25 de novembro de 1974).

A Fazenda Boa Esperança ocupa uma área de cerca de 318 hectares que integram um interessante conjunto arquitetônico e paisagístico. A sede da Fazenda é um exemplar típico da arquitetura rural mineira, apresenta uma capela a qual é decorada com pinturas do famoso Mestre Ataíde, sendo tombada pelo IPHAN desde 27 de agosto de 1959 e pelo IEPHA/MG, através do decreto nº 17.009, desde 27 de fevereiro de 1975.

5. Comunidade Quilombola da Chacrinha dos Pretos

A comunidade quilombola de Chacrinha dos Pretos, reconhecida pela Fundação Cultural Palmares em 2007, é composta por 140 habitantes (CEDEFES) encontra-se a 06 km da sede distrital de Belo Vale. Localizada no entorno da Serra da Moeda, às margens do Rio Paraopeba, a comunidade foi constituída por descendentes de escravos que trabalhavam nas fazendas locais. Na sede da localidade encontra-se um sítio arqueológico, composto por vestígios de alicerces de moradias, capelas, muros e arrimos de pedra, valos, barragens, canais, moinhos e resquícios de lavras que nos remontam ao período aurífero do Vale do Paraopeba.

Quanto às festividades, destacam-se a festa de Nossa Senhora do Bom Parto (padroeira da localidade) e a de São Sebastião, festejadas em agosto e setembro. A comunidade também conta com a Guarda de Congado de Belo Vale, alem da existência de benzedeiras, que se utilizam de práticas tradicionais de cura e orações da religiosidade popular.

6. Áreas de Exploração Agrícola e Pecuária

Nas paisagens sinuosas de Belo Vale destacam-se extensões de terra dedicadas à produção de tangerina ponkan. Segundo a Emater-MG, este município é um dos maiores produtores de tangerina do Estado de Minas Gerais e conta com muitos produtores investindo em tal atividade.

Na região, ainda, são encontradas grandes extensões de pastagens destinadas às atividades pecuárias, outro setor gerador de empregos no município. Ainda, podemos perceber áreas de usos antrópicos destinadas a usos residenciais, áreas brejosas e fragmentos de Mata Atlântica.

7. Povoado de Arrojado Lisboa

Arrojado Lisboa é um povoado rural do Município de Belo Vale, localizada a 12 km da sede, contando com treze residências, algumas fazendas antigas e sítios de lazer, possuindo em torno de 60 habitantes. Seu nome se deu devido à existência de uma Estação Ferroviária, inaugurada em 1917 e atualmente, desativada. Esta era um dos pontos de parada da linha do Paraopeba, pertencente à Estrada de Ferro Central do Brasil, nomeada para homenagear um diretor da época, Miguel Arrojado Lisboa. Tal edificação encontra-se em estado de arruinamento.

Na localidade existe o sítio arqueológico conhecido como ‘‘Fazenda do Barão’’ ou ‘‘Ruínas do Milhão e Meio’’, Ruínas do Milhão e Meio,que conforme a tradição oral, constituiu-se em uma antiga fazenda do séc. XVIII, proiproedade de José de Paula Peixoto, português de grande fortuna. Ainda, existem dois exempalres da tradicional arquitetura rural mineira, a ‘‘Fazenda Córrego da Areia’’ e a ‘‘Fazenda Santa Cruz’’.


8. Serra dos Mascates

Parte integrante da cadeia de montanhas que caracteriza o Sinclinal da Serra da Moeda, na divisa entre os municípios de Belo Vale e Moeda, constitui-se em um cenário potencialmente rico em valores ambientais e culturais. Nesta, verificamos a existência da uma estrada composta por um calçamento em pedras grandes, acompanhado por canaletas para água pluvial e muretos para proteção dos passantes nos pontos onde existem barrancos. Além de proporcionar pontos de visada com belas vistas panorâmicas para o vale, esta possui saída para local conhecido como ‘‘Ruínas das Casas Velhas’’, sítio arqueológico constituído por remanescentes de inúmeros vestígios de núcleos mineradores do tipo ‘‘forte", provavelmente do século XVIII.


9. Serra do Esmeril

Parte integrante da cadeia de montanhas que caracteriza o Sinclinal da Serra da Moeda, na divisa entre os municípios de Belo Vale, Congonhas e Jeceaba, constitui-se em um cenário potencialmente rico em valores ambientais e culturais, com sua vegetação típica e paisagens variadas, rios, cachoeiras, trilhas e mirantes.

10. Usina Hidrelétrica Salto do Paraopeba

A Usina Hidrelétrica de Salto do Paraopeba localiza-se na comunidade Quilombola do Bananal, entre as margens do rio Paraopeba e a Serra do Mato Félix, no Município de Jeceaba. Esta Usina foi construída na primeira metade do século XX e ainda encontra-se em funcionamento, sendo administrada pela Companhia Energética do Estado de Minas Gerais - Cemig.


11. Localidade de Vargem do Santana

Comunidade Rural do Município de Belo Vale localizada a a 08 km da sede.

12. Localidade de Laranjeiras

Comunidade Rural do Município de Belo Vale.

13. Localidade das Noivas do Cordeiro

Comunidade Rural do Município de Belo Vale, tem cerca de 250 pessoas, distribuídas em 40 casas aglomeradas num ponto comum da pequena propriedade originalmente de 16,2 hectares – que graças aos casamentos teve agregada novas áreas, e hoje a soma cerca de 40 hectares. Há uma relação de parentesco entre a maioria das pessoas, sobretudo de dois núcleos consanguíneos: os Fernandes, descendentes de Delina Fernandes, e os Imediato, descendentes de Geraldina Imediato, prima de Delina.

O nome da localidade foi herdado de um movimento religioso homônimo que existiu na comunidade por quase 40 anos, a Igreja Evangélica Noiva do Cordeiro, criada em 1953 pelo pastor batista Anísio Teixeira, e extinta em 1991.

Atualmente, vivem organizados em um modo de vida alternativo, baseado em uma cooperativa comunitária que é liderada pelas mulheres da localidade.

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Curadoria Digital: Helio Martins

Textos: Thais Pacheco

Imagens: Bruno Senna, Helio Martins - Raw Filmes

Interpretação da paisagem: Doutora Jeanne Cristina Menezes Crespo

Ilustrações: Leandro Moraes - Estúdio Caraminholas

Música: Sergio Pererê

Coordenação Geral: Renato Ciminelli - Presidente do Instituto Quadrilátero / Geopark