Como crescem os gigantes

Um sobrevoo pela admirável formação geológica do quadrilátero

O Quadrilátero Ferrífero é uma das mais ricas regiões de Minas Gerais em questões geológicas, sociais, culturais e históricas.

Geologicamente, é uma das maiores províncias minerais do planeta e um importante terreno pré-cambriano - A mais antiga e longa das Eras Geológicas, que se estende desde a formação da Terra, há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, até 570 milhões de anos atrás.

Historicamente, foi palco dos diversos acontecimentos relacionados à exploração no Período do Ouro, no século XVIII. Economicamente, ainda é, nos dias de hoje, a maior região produtora nacional de minério de ferro.

As montanhas registram tudo o que acontece por aqui, há bilhões de anos. As pessoas, inventam e reinventam o local com enorme riqueza cultural. A terra é rica. Trata-se de uma região que merece ser explorada, compreendida, preservada, vivida e preparada para o que ainda está por vir.

Um GEOPARK é uma região que conta com um número significativo de locais de interesse geológico como exposições de rochas, serras, minerais e fósseis, que são como um livro que contam a evolução do nosso planeta Terra. O Geopark Quadrilátero Ferrífero é uma área de grande beleza natural e riqueza histórico-cultural, com concentrações econômicas de ouro, ferro, manganês, dentre outros recursos minerais. Nossos sítios de interesse geológico contam a história de evolução da Terra há mais de 3,2 bilhões de anos atrás.

GEOLOGIA DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO

O Quadrilátero Ferrífero é delineado por serras interconectadas compondo belas paisagens naturais. Nessa publicação você irá conhecer as Serras Do Curral, Do Rola Moça, Da Calçada, Da Moeda, Do Ouro Branco e o Pico do Itacolomi. O relevo lembrando a forma de um quadrado e a grande quantidade de ferro encontrada nas rochas é que inspiraram o nome da região. No Quadrilátero ocorrem três grandes conjuntos de rochas: ígneas e metamórficas de idades arqueanas (3,2 bilhões de anos); rochas vulcânicas e sedimentares designadas por Super Grupo Rio das Velhas (2,8 a 2,6 bilhões de anos); e rochas metassedimentares designadas como Supergrupo Minas, Grupo Itacolomi e Super Grupo Espinhaço (2,6 a 1,7 bilhões de anos).

EVOLUÇÃO GEOLÓGICA

Crostas Antigas e Super Grupo Rio das Velhas - 3,2 a 2,6 bilhões de anos A história geológica do Quadrilátero Ferrífero começa há aproximadamente 3,2 bilhões de anos atrás com a formação das primeiras crostas continentais. A crosta continental é a camada de rochas que forma os continentes. Sobre esta crosta foram depositadas rochas vulcânicas e sedimentares da unidade denominada de Supergrupo Rio das Velhas. Nas rochas do Supergrupo Rio das Velhas são encontradas importantes minas de ouro.

MODELO PARA A EVOLUÇÃO TECTÔNICA DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO

(Adaptado de Alkmim & Marshak, 1998) Figuras desenvolvidas por Orivaldo Ferreira Baltazar Supergrupo Minas e Grupo Itacolomí - 2,6 a 1,7 bilhões de anos

A crosta continental formada no Quadrilátero Ferrífero passou por esforços distensivos entre 2,6 a 2,1 bilhões de anos atrás. Estes esforços levaram a formação de uma bacia sedimentar. O termo bacia sedimentar é usado para se referir a uma área geográfica que exibe uma depressão em relação ao terreno do entorno, formando uma grande bacia que recebe os sedimentos provenientes das áreas altas que a circundam, os quais vão se acumulando e sendo soterrados. Esta bacia sedimentar foi preenchida inicialmente por areias em um ambiente continental (Grupo Caraça). Com o afundamento da bacia, a água do mar entrou permitindo a deposição química de formações ferríferas e de carbonatos (Grupo Itabira). Posteriormente houve soerguimento de áreas em torno da bacia permitindo a deposição de areias e argilas do Grupo Piracicaba. Todas estas rochas fazem parte da unidade denominada de Supergrupo Minas.

1 - FORMAÇÃO DA BACIA MINAS

Entre 2,10 e 1,80 bilhões de anos atrás grandes esforços tectônicos com colisão e junção de blocos continentais envolvem o Quadrilátero Ferrífero fechando a bacia sedimentar (Bacia Minas) e depositando as rochas sedimentares e vulcânicas do Grupo Sabará. Ocorrem falhamentos e dobramentos das rochas em escala regional. O evento tectônico responsável por estes esforços é conhecido como Evento Transamazônico.

2 - EVENTO TRANSAMAZÔNICO

O movimento de colisão continental que afetou a bacia dá lugar a cadeias de montanhas e permite a deposição de areias do Grupo Itacolomi em calhas entre montanhas. As rochas do Supergrupo Minas dão forma ao Quadrilátero Ferrífero e nelas ocorre uma das maiores reservas de minério de ferro do mundo.

3 - DEPOSIÇÃO DO GRUPO ITACOLOMI

Entre 0,70 e 0,50 bilhões de anos atrás o Quadrilátero Ferrífero é afetado por um outro evento tectônico (denominado de Brasiliano) afetando sua porção oriental com novos dobramentos e falhamentos das rochas. O Quadrilátero Ferrífero é mundialmente reconhecido pela sua importância científica no registro da evolução da Terra ao longo de mais de 3 bilhões de anos e vem sendo objeto de estudos nacionais e internacionais desde o século XIX.

4 - EVENTO BRASILIANO

A FORMAÇÃO DAS SERRAS QUE VOCÊ VAI CONHECER

Revisite essa página e note essas belezas com um novo olhar durante seu passeio!

SERRA DO CURRAL

A Serra do Curral é formada por uma sequência de rochas sedimentares que possuem a mesma inclinação e direção (homoclinal). Naturalmente, numa sequência de rochas sedimentares, a rocha mais jovem é aquela que se encontra no topo sendo que as rochas das camadas inferiores são mais antigas.

SERRA DO ROLA MOÇA

Esta é uma área muito especial onde pode ser observada uma camada de rocha de coloração avermelhada recobrindo a serra. Esta rocha, denominada canga, tem seu nome derivado do tupi tapanhoacanga (cabeça de negro) devido a seu aspecto peculiar. A formação da canga se deu há aproximadamente 65 milhões de anos atrás como conseqüência do processo de alteração da rocha rica em ferro conhecida como itabirito. A canga é muito resistente à erosão por isto ajuda a sustentar o relevo da serra. Sua alta porosidade facilita a infiltração da água da chuva facilitando seu acúmulo nos reservatórios subterrâneos que abastecem as cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Sobre a canga se desenvolve uma vegetação característica chamada de campo ferruginoso, que vamos conhecer mais a frente.

O RELEVO DA SERRA DO ROLA MOÇA

Entre 70-65 milhões de anos (Cretáceo e Cenozóico) os minerais presentes no itabirito da Serra do Rola Moça sofreram transformações determinadas pelas chuvas e pelas mudan- ças do nível do lençol freático. Neste processo a sílica foi sendo retirada dos minerais levando a uma concentração de óxidos de ferro formando a canga.

No Cenozóico (60 milhões de anos) ocorreu um soerguimento na região do Quadrilátero Ferrí- fero que provocou a ação dos processos erosivos removendo o solo acima da camada de canga.

Atualmente a paisagem é caracterizada pelo relevo de serras, cristas, platôs e maciços montanhosos. O topo da Serra do Rola Moça é mantido pela canga que, pela sua resistência, retarda o processo de erosão.

PICO DO ITACOLOMI

A história da crosta da Terra é marcada por ciclos tectônicos que envolvem quebra, separa- ção e colisão de continentes com formação de cadeias de montanhas e abertura e fechamento de oceanos. A formação das rochas do Itacolomi se deu após o evento que levou a colisão de continentes há cerca de 2,1 bilhões de anos atrás. Na região do Itacolomi ocorrem essencialmente rochas arenosas chamadas de quartzitos. Estas rochas se formaram inicialmente em um ambiente de rios entrelaçados em uma época em que o Quadrilátero Ferrífero foi uma cadeia de montanhas semelhante aos Himalaias atuais. Nesta região podem ser identificados três patamares. O primeiro, na parte superior, é formado pelos quartzitos que formam o Pico do Itacolomi.

O segundo, à sua frente, é representado por um grande platô formado também por quartzitos. Nele pode-se observar uma forma semelhante a ruínas, denominada de relevo ruiniforme. Este relevo ocorre em conseqüência da erosão que age principalmente nos quartzitos, elaborando esculturas naturais na paisagem, em conseqüência da ação da água das chuvas, e das mudanças de temperatura. O patamar inferior, próximo aos limites deste Parque, é formado por filitos e xistos. Este patamar se destaca pela presença de formações florestais, representantes da Mata Atlântica na região. Isto se deve as caracteristicas dos solos oriundos dos xistos e filitos que reunem melhores condições que os dos quartzitos para o desenvolvimento deste tipo de vegetação.

Navegue também pelas serras

Promotoria

Apoio Técnico:

GGN

Apoiadores Financeiros:

CNPQ  Finep  Fapemig

Parceiros:

INCT Acqua  Codap  Cedecap

Uma realização:

Instituto Quadrilátero  Geopark Quadrilátero Ferrífero

Produção:

Orange Editorial

Curadoria Digital: Helio Martins

Textos: Thais Pacheco

Imagens: Bruno Senna, Helio Martins - Raw Filmes

Interpretação da paisagem: Doutora Jeanne Cristina Menezes Crespo

Ilustrações: Leandro Moraes - Estúdio Caraminholas

Música: Sergio Pererê

Coordenação Geral: Renato Ciminelli - Presidente do Instituto Quadrilátero / Geopark