A Chita Rupestre

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A flora do Quadrilátero e algumas curiosidades sobre a indústria têxtil no território

Campos rupestres quartzíticos e campos rupestres ferruginosos fazem parte da flora do Geopark Quadrilátero Ferrífero. Nesse tipo de afloramento rochoso a impressão que temos, ao olhar para as plantas e flores, é que elas brotam das pedras. Mas não se trata de impressão. Trata-se de uma questão de sobrevivência. As plantas se adaptam a condições extremas e buscam, em geral, fendas e gretas onde a água se acumula.

Para apresentar a você alguns exemplos de uma enorme variedade de espécies, preparamos uma arte inspirada na CHITA. Chita é um tecido de algodão com estampas de cores fortes, geralmente florais, e tramas simples. Há muito de simbolismo, para o quadrilátero ferrífero, no fato de a principal característica da chita ser o uso do morim, esse tecido simples, barato, do tipo que se veste na criança que vai rolar na terra e rasgar a roupa.

É também disso que é feito o solo de grande parte do Geopark Quadrilátero Ferrífero. Essa grande composição de campo rupestre sobre canga. O solo arenoso, repleto de afloramentos rochosos, alguns já explorados, em áreas de mineração abandonadas geram espécies vegetais que, muitas vezes, apresentam nanismo ou gigantismo e, ao mesmo tempo, altas concentrações de metais em seus tecidos. Mas essas mesmas espécies que, já adaptadas ao ambiente, criaram mecanismos de tolerância às condições extremas dos solos com alta concentração de metais pesados e poucos nutrientes. A seleção de forma de vida nesses ambientes é rigorosa e gera, inclusive, espécies endêmicas.

Tipos de vegetação

O Quadrilátero Ferrífero está inserido na zona de transição entre Cerrado e Mata Atlântica. Graças a isso, o local tem uma grande diversidade de flora e diversas formações vegetacionais. A característica de destaque trata dos campos rupestres: formações herbáceo-arbustivas associadas a afloramentos rochosos ou solos geralmente rasos.

A vegetação é constituída basicamente por um estrato herbáceo (plantas de pequeno porte que vivem próximas ao solo) mais ou menos contínuo, entremeado por pequenos arbustos que sobrevivem a grandes mudanças de temperatura. Essa estrutura tem aparência típica de campos rupestres, mas não se mantém homogênea. No Quadrilátero Ferrífero, forma um mosaico influenciado pela topografia, declividade e microclima.

Os campos rupestres podem ocorrer sobre diferentes tipos de rochas. No Quadrilátero Ferrífero predomina a canga, sobre a qual falamos no início da publicação.

Estudos florísticos sobre campos rupestres brasileiros têm sido centrados na Cadeia do Espinhaço, especialmente em solos quartzíticos e os estudos de vegetação sobre canga ainda são escassos, porém, essa vegetação já recebe diferentes nomes, como campo rupestre, subtipo de campo limpo ou vegetação metalófila, caracterizada pela presença de espécies vegetais que, muitas vezes, apresentam nanismo ou gigantismo.

Ao mesmo tempo que apresentam altas concentrações de metais em seus tecidos. É possível ainda verificar mecanismos de tolerância às condições extremas dos solos metalíferos que não retém muita água e são pobres em nutrientes. Essa tolerância se dá através de alterações fisiológicas, especialmente metabólicas, e modificações da morfologia interna e externa das plantas.

A Flora no Geopark

Na Serra da Calçada, há exemplares de cacto, arnica-da-serra e Calibrachoa elegans, entre as espécies ameaçadas de extinção.

Na Serra do Ouro Branco, a riqueza da flora se mostra ainda mais exuberante. Até 2005, haviam sido catalogadas 76 famílias, 201 gêneros e 632 espécies. Trata-se de um show de cores produzido por muitas plantas típicas de campos rupestres como as canelas de ema e bromélias ‘’gravatá’’

Intensa exposição vento, restrições hídricas e consideráveis amplitudes térmicas diárias são outros obstáculos enfrentados pela flora dos campos rupestres.

Não bastasse a força, há ainda a beleza. Na Serra da Moeda, a vegetação compõe um cenário de beleza paisagística incontestável, especialmente nas regiões campestres, onde emergem os maciços rochosos quartzíticos, verdadeiras esculturas naturais, entremeados por ervas e arbustos de diversas espécies. Noutras partes, os afloramentos ferruginosos se configuram em extensas placas, conhecidas por ‘’couraças’’, as quais dão suporte a uma vegetação rara, extremamente rica em espécies endêmicas e adaptadas às condições ambientais.

Companhias têxteis

Até o final dos anos 20, a manufatura têxtil de algodão absorvia 40% do nosso capital e 23% de toda a nossa mão-de-obra empregada em nossa indústria. A estamparia ia a pleno vapor, e novamente a eficiência de nossa produção assustou a Inglaterra. Naquele ano, a produção de tecidos brasileira estava calculada em 378.619.000 metros; em 1908 fora de 256.982.203 metros, contra 20.595.375 metros no ano de 1885. As chitas já eram fabricadas em larga escala em grandes empresas. É possível identificar, no acervo do Museu Têxtil Décio Mascarenhas, da Cedro Et Cachoeira, amostras de tecido dos primeiros anos do século XX com estampas florais miúdas, que podem ter sido inspiradas no tecido inglês conhecido como Liberty.

Em 1912 surgiu a Companhia Fabril Mascarenhas. Começava ali a trajetória de uma empresa que não cresceria muito, mas que começaria a produzir a chita nos anos 70 e o chitão na década seguinte, mantendo essa produção em plena atividade até os dias de hoje - no momento, sob o comando do neto do coronel Mascarenhas, José Henrique Mascarenhas.

Enquanto isso, o cenário internacional vivia as crises que culminariam com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a vitória do comunismo na União Soviética (1917), enquanto nosso país era agitado por revoltas populares, envolvendo ex-escravos, agricultores e operários.

A Primeira Guerra Mundial, porém, teria efeito benéfico sobre a produção brasileira. Os países europeus tiveram suas produções manufaturadas suspensas e se dedicaram à produção de armas. Logo, o Brasil começou a tomar lugar de destaque no comércio internacional de produtos manufaturados.

História da chita no Brasil

A chita veio para o Brasil com os europeus a partir de 1800. O tecido originário da Índia passou por várias melhorias até chegar ao que temos hoje. Após um longo processo burocrático, cultural e financeiro, a chita passou a ser produzida também no Brasil. A produção do tecido no país o barateou, e muito, tornando populares as peças confeccionadas com o material, transformando-o, assim, em um dos ícones da identidade nacional. Atualmente é mais usado em festas populares, como a festa junina, mas vem sendo valorizado também na decoração, principalmente como referência estética. De tempos em tempos, ganha espaço em passarelas, galerias de arte, vitrines e palcos, quando estilistas, artistas plásticos, designers e outros criadores redescobrem estas estampas e as incorporam a suas produções.

O século das chitas

Nas três primeiras décadas do século XX, a indústria brasileira viveu uma fase intensa de desenvolvimento. A construção da malha ferroviária e de usinas hidrelétricas facilitava o crescimento, da mesma forma que a chegada de inovações técnicas, como o motor de combustão interna e o motor elétrico. Na área têxtil, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais passaram a concentrar a maior parte das indústrias, assim como o poder econômico que sua produção agropecuária lhes conferia.

Era a época da ‘’política do café-com-leite’’: os cafeicultores paulistas e produtores de laticínios mineiros tinham influência tão forte na política nas décadas de 10 e 20 que se alternavam no comando da nação, com um dos estados indicando o presidente a cada quatro anos.

Crescimento e conflito

A década de 30 chegou com Getúlio Vargas no poder e a necessidade de solucionar graves problemas financeiros nacionais, reflexos da crise internacional.

De 1931 a 1938 a produção nacional de tecidos de algodão cresceu em cerca de 50%, alcançando os 963.757.666 metros anuais. É desse período a fundação da Fiação e Tecelagem São José, em Mariana, Minas Gerais. Nela começou a produção de chita e a gestação do chitão.

Enquanto isso, os EUA retomavam o crescimento econômico, o continente europeu assistia a marcha do nazismo e o Brasil caminhava para a ditadura Vargas. Em 1939 eclodia a Segunda Guerra Mundial, e mais uma vez o conflito favorecia a nossa industria têxtil.

Em 1944 era aberta em Contagem, cidade na região metropolitana de Belo Horizonte, a Estamparia S.A., que é uma das poucas empresas que ainda produz chita, mas apenas 100 mil a 150 mil metros por mês, o que corresponde a 5% de sua produção mensal de tecidos.

Com o fim da guerra, restava o aumento da especulação monetária e da inflação. Os frutos das novas tecnologias, desenvolvidas para a guerra, chegaram até nós e, na área têxtil, o náilon era o novo objeto de desejo. A chita continuava vestindo os trabalhadores braçais e os moradores das regiões rurais, e era, e ainda é, o pano característico das festas populares. Também era usada nas periferias urbanas. Era a vestimenta do dia-a-dia ou a chamada roupa de brincar das crianças.

O batismo do chitão

O período denominado democracia populista vai de 1945 a 1964 e se caracteriza pela instabilidade política. A economia e a indústria têxtil sofriam as conseqüências de tanta insegurança. Várias empresas continuavam a produzir e vender chita em abundância, muitas das quais deixariam de fabricá-la alguns anos depois.

As revistas femininas da época ditavam a moda - vinda de Paris - e ensinavam o comportamento feminino ideal: o de submissa rainha do lar. A drástica virada de mesa dos anos 60 ainda estava por vir, para mudar os rumos de lares, mulheres, rainhas, moda e usos da chita.

A Fábrica de Tecidos Bangu deixara de produzir Chita para pesquisar, desenvolver e produzir tecidos de qualidade à altura do mercado internacional, usando principalmente o algodão como matéria-prima. Encerraria, assim, sua função inicial de grande produtora de morins e chitas. Até o encerramento de suas atividades existia, na sede da fábrica, no Rio de Janeiro, a chamada Sala das Chitas.

No final da década de 1950, a Fiação e Tecelagem São José voltou-se à demanda especifica de sua clientela, e começou a fazer testes para fabricar tecidos - entre os quais a chita - com largura maior. A essa nova chita, mais larga, deu-se o nome de chitão, que só deu certo e foi divulgado na década de 1960, quando todo mundo começou a fazer também, recorda-se Oziris Cimino, diretor comercial da Fiação e Tecelagem São José.

Hoje, o que caracteriza o chitão são as dimensões e as cores de suas estampas florais. Se alguém fizer essa estampa sobre outro suporte que não seja morim, certamente a referência do novo tecido será estampa de chitão.

RISCO DE EXTINÇÃO

Ao visitar as areas de proteção no Geopark, é importante que o visitante atente a importância das espécies e ajude assim a conservá-las. Não arrancar flores ou mudas, não pisotear são algumas das ações de proteção esperadas. A maioria dos levantamentos florísticos em cangas no Quadrilátero Ferrífero são muito recentes, mas um estudo datado de 2013 encontrou 159 espécies ameaçadas de extinção na região. Elas estão distribuídas em 42 famílias. Entre as mais representativas está a Asteraceae com 35 espécies, seguida de Orchidaceae com 20 espécies, Bromeliacea, com 14, Fabaceae com 12, Eriocaulaceae com 10 e Apocynaceae e Poaceae com seis espécies em risco encontradas.

Na próxima página, um album de imagens com fotografias de flora e vegetação encontradas no Geopark.

Seja bem vindo e admire as nossas belezas encontradas livremente pelo território!


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Promotoria

Apoio Técnico:

GGN

Apoiadores Financeiros:

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Uma realização:

Instituto Quadrilátero  Geopark Quadrilátero Ferrífero

Produção:

Orange Editorial

Curadoria Digital: Helio Martins

Textos: Thais Pacheco

Imagens: Bruno Senna, Helio Martins - Raw Filmes

Interpretação da paisagem: Doutora Jeanne Cristina Menezes Crespo

Ilustrações: Leandro Moraes - Estúdio Caraminholas

Música: Sergio Pererê

Coordenação Geral: Renato Ciminelli - Presidente do Instituto Quadrilátero / Geopark